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sexta-feira, 20 de outubro de 2017

Novo hotel de luxo do Grupo Pestana prevê construir 100 alojamentos para os seus trabalhadores


O futuro hotel de luxo Pestana Quinta da Amoreira, em Alvor, cuja primeira pedra foi ontem colocada com a presença do ministro da Economia, é duplamente pioneiro: será o primeiro «all inclusive de 5 estrelas» construído de raiz em Portugal e contempla a construção de 100 alojamentos para um terço dos trabalhadores que irá empregar.

É que a mão de obra qualificada, e em quantidade, de que irá necessitar a nova unidade hoteleira é um problema a resolver até à sua abertura, anunciada pelo próprio Dionísio Pestana para «o Verão de 2019».

O ministro Manuel Caldeira Cabral disse que no Algarve, «a instabilidade do emprego marcado pela sazonalidade é um problema».

E o que se pretende aqui, no futuro Pestana Quinta da Amoreira, é precisamente contrariar essa sazonalidade, criando emprego permanente, ao longo de todo o ano.

Mas, tendo em conta a escassez de mão de obra no Algarve – de que se queixam as lojas prestes a abrir nos novos Mar Shopping e Designer Outlet Algarve, junto ao IKEA – há que atrair trabalhadores de fora da região…e resolver de uma assentada dois dos seus principais problemas, o alojamento e o transporte.

Mas há também que apostar na formação desses futuros trabalhadores. «300 postos de trabalho diretos não é despiciendo», salientou Isilda Gomes, presidente da Câmara de Portimão, na cerimónia da primeira pedra. «Mas o Instituto do Emprego e Formação Profissional vai ter muito de pedalar, de modo a termos ativos devidamente preparados, trabalhadores de qualidade num hotel de 5 estrelas», acrescentou a autarca.

O futuro Pestana Quinta da Amoreira, que representa um investimento de 50 milhões de euros do Pestana Hotel Group, será um hotel dividido em pequenos edifícios, de um ou dois pisos, espalhadas pelos 12,8 hectares da antiga Quinta da Amoreira, perto de Alvor.

O novo hotel 5 estrelas, que terá capacidade para 450 unidades de alojamento (388 quartos e 62 suites), tem projeto da equipa da casa, coordenada pela arquiteta Iliana Rosendo França, fará uma «forte aposta nas energias renováveis», e no interior do complexo «só se poderá andar a pé ou com veículos elétricos». Terá ainda «amplas zonas verdes» e «a grande amoreira que dá nome ao local será preservada», em conjunto com «a maioria das árvores existentes», como anunciou Pedro Lopes, administrador do Pestana Hotel Group para o Algarve.

«Portugal vive um bom momento no Turismo, que está a crescer e a dar contributos importantes para as exportações e o emprego», disse Manuel Caldeira Cabral, para logo acrescentar: «projetos como este que estamos aqui a anunciar garantem que vamos crescer ainda com mais qualidade».

Mas, mesmo na cerimónia da primeira pedra do complexo, havia quem torcesse o nariz ao conceito de «all inclusive/tudo incluído», ainda que para o segmento de luxo e de famílias, anunciado pelo maior grupo hoteleiro internacional de origem portuguesa para este seu novo investimento de 50 milhões de euros.

E o administrador Pedro Lopes explicou a aposta: «será um all inclusive 5 estrelas, a exemplo das Caraíbas», um conceito que o Grupo Pestana já experimentou no Porto Santo, com muito sucesso, quer em termos de ocupação e negócio, quer quanto a prémios ganhos a nível nacional e internacional. «Esta é a fasquia que temos de atingir ou ultrapassar», disse o administrador, virando-se para quem com ele trabalha no Algarve.

A nova unidade, a primeira do género construída de raiz em todo o país, «vai atrair ao Algarve e a Portimão clientes de all inclusive 5 estrelas que hoje estão espalhados por resorts de todo o mundo», garantiu Pedro Lopes.

E, tendo em conta tudo o que o futuro Pestana Quinta da Amoreira terá para oferecer – quatro restaurantes (dos quais dois temáticos), três bares e seis piscinas, onde se inclui uma piscina para crianças, inserida na ampla área do Kids Club, feita a pensar nos mais pequenos, e uma piscina coberta inserida no Spa do hotel, ginásio, quatro salas de massagens, sauna e banho turco – os hóspedes, como acontece em qualquer all inclusive, mesmo de luxo, nem terão de sair de lá…apesar de terem a praia de Alvor ou o campo do Alto Golfe a curta distância, acessíveis a pé.

E, a julgar pelas imagens do vídeo apresentado, os hóspedes até pensarão estar num qualquer resort das Caraíbas, nem se apercebendo que, na realidade estão no Algarve, em Portugal, tal a quantidade de palmeiras que parece que serão usadas nos espaços verdes.

Isto apesar de o administrador Pedro Lopes ter garantido que o projeto de integração paisagística, a cargo do arquiteto paisagista Fausto Nascimento, irá preservar a maioria das árvores existentes na antiga quinta, em especial a amoreira, que lhe dá nome. Como resultará a mistura de alfarrobeiras com palmeiras é algo a ver, dentro de dois anos, quando o hotel de luxo abrir as suas portas.

Na cerimónia no Hotel Alvor Praia, que antecedeu a deslocação ao local onde começa agora a ser construído a nova unidade, a autarca Isilda Gomes, voltando-se para o empresário Dionísio Pestana, disse-lhe: «ousar projetos desta qualidade e dimensão é um enorme upgrade para Portimão».

Mas a presidente da Câmara salientou ainda que, depois de durante 50 anos não ter sido criado mais nenhum hotel de luxo em Portimão, agora o concelho está prestes a «duplicar o número de hotéis de 5 estrelas».

É que há um ano abriu o Pestana Race, no Autódromo Internacional do Algarve, o qual, segundo disse Pedro Lopes, «trabalha muito bem fora do Verão, sobretudo com o mundo motorizado, que é um segmento que estamos a desenvolver», agora foi lançada a primeira pedra da nova unidade de luxo do Grupo Pestana, e há ainda um outro grande investimento na calha, de outro grupo empresarial, também para a zona de Alvor, mas na área do Turismo de Saúde.


Informação retirada daqui
Fotos: Elisabete Rodrigues|Sul Informação

Iate fundeado frente a Alvor foi ao fundo


Um iate com cerca de 20 metros foi encontrado afundado, na Ria de Alvor, no concelho de Portimão. O barco, que estava fundeado no porto de abrigo local, não apresenta danos estruturais aparentes e deverá ter metido água devido a uma avaria numa válvula.

Segundo revelou ao Sul Informação o capitão do Porto de Portimão, que enviou para o local elementos da Polícia Marítima, a embarcação «não apresenta sinais exteriores de degradação nem de danos, pelo que é pouco provável a hipótese de ter sido abalroada ou de ter um problema estrutural».

«O mais provável é que se tenha estragado uma válvula de admissão de água do motor e que tenha começado a meter água. Mas isso só se poderá saber ao certo quando o barco sair da água», disse o comandante Santos Arrabaça.

A embarcação em causa é um pequeno iate «do tipo motorsail, que tanto pode andar à vela como a motor».

O proprietário do barco não é português e vive fora do país, mas a Polícia Marítima já entrou em contacto com a pessoa que ficou encarregada de cuidar dele. «Essa pessoa esteve no local, forneceu os seus dados e disse que o proprietário está interessado em retirar a embarcação da água», explicou o comandante Santos Arrabaça.

Para isso, terá de ser apresentado um plano à Docapesca, que tem jurisdição sobre a zona onde a embarcação afundou. «O barco tem seguro, pelo que isso deverá acontecer nos próximos dias. Doutra forma, será a Docapesca a retirá-lo. Seja como for, a situação deve estar resolvida em poucos dias», explicou.

Esta manhã, já esteve no local um equipa de mergulhadores, contratada pelo dono da embarcação, para fazer uma avaliação da situação.

 
Informação retirada daqui
Fotos:  Elisabete Rodrigues|Sul Informação

sexta-feira, 6 de outubro de 2017

Entre dunas e ria, esvoaça um mundo de pássaros


Em Alvor, o maior passadiço do Algarve parece dividir para unir. De um lado, o estuário da ria. Do outro, o cordão dunar. De um lado, o longo areal. Do outro, os os resorts. De um lado, a natureza. Do outro, os veraneantes. Mundos diferentes em comunhão, como os bandos que esvoaçam nos binóculos.

Não há como nos enganarmos. Calças e calções beges, meias a despontar dos sapatos de caminhada, binóculos ao pescoço e, no ombro, um monóculo com tripé. Marcial Felgueiras e Guillaume Réthoré destoam dos desportistas e veraneantes madrugadores com quem nos cruzamos a esta hora no passadiço de Alvor, junto a Portimão. Passa pouco das 8h de uma manhã em final de Julho, começa a fervilhar o pico da época balnear algarvia.

O passadiço em madeira de Alvor ganhou o epíteto de maior da região no ano passado, ao chegar à linha de meta que as falésias recortadas da praia dos Três Irmãos impõem à língua de areia que se desenrola, branda, desde o molhe nascente da ria. Há seis anos, no entanto, que A Rocha Life — ramo turístico da organização ambiental que nasceu em Alvor há 34 anos e que entretanto se espalhou pelo mundo — realiza aqui um dos seus passeios para observação de aves (quatro horas, 3km, 40€). 

São dessa altura os primeiros troços de madeira que serpenteiam entre as dunas e o sapal, integrados no percurso “Ao sabor da maré”, já em plena área classificada da Rede Natura 2000. A associação colaborou na homologação do trilho pedestre, mas desta vez não o percorreremos na totalidade. Saltitamos, antes, entre o “estradão” de terra batida e parte dos passadiços que unem as margens salobra e salgada, no encalço das aves que habitam a ria e aquelas que vêm nidificar nesta altura do ano. Como é o caso dos borrelhos-de-coleira-interrompida. “Estão cá e já devem ter crias. Vamos ver se os encontramos”, desafia Marcial Felgueiras, director de operações da empresa.

 Nos últimos anos, a equipa tem monitorizado a população nidificante de borrelhos nas dunas de Alvor, em declínio a nível mundial. Chegaram a contabilizar-se 30 casais. “Agora nem perto.” Este ano, no entanto, o projecto está suspenso por falta de verbas e não sabem ao certo quantas aves escondem crias entre os tufos de gramíneas. Os pequenos limícolas de bico negro constroem os ninhos sobre a areia “na extremidade das dunas”, lá à boca da ria, longe dos apoios de praia e dos estacionamentos, onde existem níveis mais baixos de perturbação humana. É para lá que segue o passeio, de olhos entre o céu e a vegetação.

Pouco caminhamos até à primeira paragem. Um bando de pintassilgos e alguns pintarroxos (distinguem-se pelas manchas avermelhadas no peito e na testa) estão empoleirados em fios dourados de estorno, a planta mais abundante nas dunas de Alvor. Guillaume ajusta o monóculo e, por momentos, temos a ilusão de quase tocarmos no rasgo amarelo das asas, na cauda negra pintalgada de branco. “Gostam muito de estar por aqui porque se alimentam das sementes das gramíneas”, descreve Marcial. Guillaume é o guia, mas é o director quem vai tomando a palavra. A Gui, para facilitar, interessam sobretudo as conversas que se desenham no céu e dele mal tira os binóculos, com a paciência infinita de quem sabe que esta não é a melhor altura para a observação de aves. “Tal como os humanos, preferem resguardar-se nas sombras quando está muito calor”, retoma Marcial. Há seis anos que o biólogo francês se mudou para o Algarve, depois de ter trabalhado pela primeira vez n’A Rocha, em 2007, ao abrigo do Serviço Voluntário Europeu. “De Outubro a Março é bonito e, no Inverno, muito especial”, resume num sorriso tímido.

Dos esquivos borrelhos nem sinal, mas o passeio vai sendo brindado por outros voos. Cotovias-de-poupa, fuinhas dos juncos, andorinhas-dos-beirais, andorinhas-das-chaminés e andorinhas-daurica — muito parecidas com as segundas, mas com a cauda preta. “Parece que têm umas calças vestidas”, descreve Marcial. Pousa um cartaxo na vegetação seca, ouve-se um maçarico. Lá ao fundo, de patas enterradas nos sapais, vêem-se ostraceiros e gaivotas. “Não estou a apontar muito para elas porque são comuns mas avistam-se cinco espécies nesta altura do ano”, indica Guillaume. A saber: gaivota-de-patas-amarelas, gaivota-de-cabeça-escura, gaivota-de-asa-escura, gaivotão-real e guincho.

Esta zona da ria, encaixada entre os ribeiros e o mar, não é o melhor sítio do Algarve para a observação de aves, confessam. Mas integra “dois habitats muito próximos e bastante diferentes”: o dunar e o estuarino. Numa caminhada curta e fácil é possível avistar várias espécies e compreender os diferentes ecossistemas, programa ideal para famílias e para promover programas de educação ambiental e de consciencialização da população. É essa a grande vantagem dos passadiços, defende Marcial: “Usufruir da paisagem sem destruir o ecossistema.” E acaba por “encorajar a actividade física e o contacto com a natureza”.

Numa encosta arenosa colada ao caminho de terra batida, juras de amor são eternizadas em palavras desenhadas a seixos sobre a areia. Uma garça-real e uma garça-branca alimentam-se na margem, junto aos veleiros que se aninham aos pés da vila de Alvor. O melhor estaria guardado para o fim: um casal de coloridos abelharucos escavou um ninho num dos bancos de areia de uma pequena lagoa e um juvenil espera por comida junto à entrada da toca. “Chegam nos últimos dias de Março e vão-se embora nos primeiro dias de Setembro”, precisa Guillaume.

O passeio termina junto ao restaurante Restinga, com quem têm uma parceria desde o ano passado (passeio de uma hora e bebida, salada ou refeição por preços que vão dos 25€ aos 50€). Foi Filipe Esteves, o proprietário, quem tomou a iniciativa. “A minha família tem o restaurante há 40 anos, eu venho para aqui desde os quatro. Gostava que um dia os meus netos vissem esta beleza única como eu a conheci.” No entanto, apesar de reconhecer que o passadiço “fazia falta pelo pressuposto de conservação da natureza”, a nova estrutura de madeira veio tirar-lhe o estacionamento à porta e isso “mudou os paradigmas do negócio”. Às vezes, tem de ir buscar ou levar clientes a casa porque nem os taxistas ali querem ir. Não há iluminação mas o pó chega para cobrir os carros.

O Restinga é o último restaurante da fileira de estabelecimentos que se sucede em catadupa quase até à Prainha. A partir daqui a estrada suspensa de madeira deixa de contemplar a natureza para servir um único propósito: unir, quase em linha recta, os parques de estacionamento, os apoios de praia, os acessos ao areal, os blocos de apartamentos e as unidades hoteleiras do grupo Pestana. Cinco bordejam o passadiço — e o grupo madeirense financiou parte da estrutura. No total, são quase seis quilómetros, da ria até à praia dos Três Irmãos. O sol sobe implacável ao meio-dia, é um corrupio de sotaques, chinelos, sacos, toalhas, chapéus-de-sol e geleiras. Há quem esteja a chegar e quem parta para o almoço. Um miúdo interrompe a parafernália dos pais para esticar a mão para lá do corrimão do passadiço. “Adeus, praia”, grita entre acenos.

Informação retirada daqui