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domingo, 9 de agosto de 2026
A lenda da moura encantada nas muralhas de Faro
Em 1249, após um longo cerco à cidade, o Rei Dom Afonso III conquistou finalmente Faro aos Mouros. Conta a lenda que entre as tropas cristãs se encontrava um jovem cavaleiro que, um belo dia, viu a passear pelo caminho de ronda do castelo uma bela princesa moura, por quem logo se apaixonou. Começou então fazer a corte à linda moura, que era filha do governador, e esta retribuiu-lhe o seu afeto.
Um dia, por intermédio de um escravo que falava ambas as línguas, o casal de namorados combinou um encontro. Nessa noite, o escravo abriria a porta onde hoje se encontra a ermida da Senhora do Repouso, para que o cavaleiro pudesse visitar a sua amada. Contudo, antes de partir, este pediu aos seus companheiros que, caso fosse feito prisioneiro pelos mouros, no dia em que as tropas cristãs tomassem finalmente a cidade, ninguém deveria fazer mal à sua amada. E foi assim que os dois apaixonados conseguiram finalmente encontrar-se, jurando entre si amor eterno. Acontece que, à despedida, abriram a porta do castelo e de imediato as tropas cristãs, que esperavam pela oportunidade, forçaram a entrada na cidade. Imediatamente os mouros fizeram soar o alarme e tomaram posição defensiva. Alarmado, o cavaleiro pegou na princesa e no pequeno irmão que a acompanhava, e tentou sair do castelo para colocá-los a salvo. Nesse preciso momento, o rei Mouro viu que a filha abandonava a cidade nos braços de um cristão. Pensando que esta havia traído o seu povo e a sua religião, amaldiçoou-a, lançando-lhe um encantamento tão poderoso que, quando o jovem cavaleiro transpôs a porta da Senhora do Repouso, a moura e o seu irmão desapareceram, ficando apenas as suas roupas. Reza a lenda que, tantos séculos depois, a infeliz princesa ainda continua ali encantada, vagueando pelas muralhas do castelo, à espera de um milagre que quebre finalmente o encanto.
Segundo uma outra tradição oral, a tomada da cidade só foi possível porque uma princesa moura confidenciou ao cavaleiro português, por quem se havia apaixonado, o segredo para entrar no castelo. De acordo com esta lenda, após a conquista da cidade ao mouros, a princesa ter-se-á suicidado numa nora situada na antiga horta do Ferragial.
sexta-feira, 7 de agosto de 2026
A lenda do mourinho encantado no arco do repouso
Ninguém sabe ao certo, mas é possível que a misteriosa criança a que se refere esta lenda seja o irmão da princesa moura encantada nas muralhas de Faro.
Conta o povo, que uma criança de aspeto mourisco aparecia por vezes na cidade velha e convidava os transeuntes a entrar no seu palácio, que ficava por debaixo da Ermida de Nossa Senhora do Repouso. Algumas pessoas aproximavam-se, mas logo que as portas se abriam perdiam a coragem e desistiam, outros, mais atrevidos, acompanham o mourinho e entravam pela porta, seguindo depois por um corredor subterrâneo até chegarem finalmente a um palácio encantado, revestido de ouro e preciosidades. O rapaz convidava-os então a levar o que quisessem. Alguns contentavam-se apenas com uma mão cheia de moedas de ouro, mas outros traziam jóias e até barras do metal precioso. No entanto, quem ali entrava, já não voltava a ser convidado outra vez.
quarta-feira, 5 de agosto de 2026
A lenda dos Aloendros
Curiosamente, existe uma outra lenda relacionada com a tomada da cidade de Faro que oferece uma imagem um pouco diferente dos acontecimentos. Conta-se que na campanha militar que resultou na conquista definitiva do Algarve em 1249, o Rei Afonso III foi acompanhado pelo seu amigo D. João Peres de Aboim, um brioso cavaleiro de bom coração. Ora um certa noite, quando as tropas cristãs montavam cerco à cidade de Faro (então chamada Harume), estava D. João de vigília, quando escutou um barulho suspeito num arbustos próximos do acampamento. Logo foi apurar o que se passava e, com surpresa, encontrou escondida uma jovem moura, vestida como se fosse um rapaz.
- Quem és tu? O que fazes aqui? Perguntou o cavaleiro português.
- Vim para falar com o Rei Afonso, queria pedir-lhe misericórdia para o meu povo.
- Como te chamas? Perguntou D. João Peres de Aboim.
- Alandra! Respondeu a jovem moura.
O cavaleiro cristão imediatamente reconheceu o seu nome. Era a filha do príncipe de Harume, governador da cidade. Conduziu-a então até ao acampamento e, quando entraram na sua tenda, a princesa diz-lhe:
- Por favor D. João, ajudai-me a salvar as mulheres e as crianças da cidade. Desde a tomada de Xelbe (Silves) que vivemos aterrorizados com o que possa suceder.
- Não te preocupes, eu vou ajudar-te. Nada de mal vos acontecerá.
Encantado com a beleza e a força de caráter da jovem princesa moura, o nobre cavaleiro português pediu ao Rei de Dom Afonso III que reunisse o conselho para expor a situação. Alambra deu garantias de que a cidade não resistiria, caso os portugueses respeitassem mulheres e crianças e evitassem derramamento de sangue, disponibilizando-se para arranjar uma reunião entre seu pai, governador da cidade, e o monarca português. Assim aconteceu, o príncipe de Harume entregou as chaves da cidade a Dom Afonso III e abandonou a cidade com o seu séquito.
Já com a cidade sob o total controlo das tropas cristãs, D. João Peres de Aboim foi à procura da princesa moura por quem se havia apaixonado, mas esta havia entretanto partido com o seu povo. Como agradecimento, Alandra deixara-lhe um ramo de flores vermelhas, as quais o cavaleiro português tomou como uma lembrança de amor, decidindo por isso chamar aloendros a estas bonitas flores, cujo nome evoca ainda hoje memórias de um passado distante.






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